![]()
Eu acompanho diversos blogs, diariamente. Não comento em todos, aliás, comento muito pouco. Mas sempre leio os comentários. E o que tenho visto é de certa forma, decepcionante.
Uma pessoa não pode mais manifestar a sua opinião. Não, porque se houver alguém contrário à essa opinião, esse alguém vai com certeza partir para uma agressão escrita e gratuita. E não é só na Internet. A diferença é que na Internet alguns indivíduos mostram seu verdadeiro “eu”. Caem as máscaras, protegidas por um aparente anonimato. Aparente, porque infelizmente, a agressão manifestada prejudica muito mais a si próprio, do que ao agredido. Disso falo com certeza.
Lembro de certa vez ter entrado num blog que falava sobre um time de futebol, e coloquei minha opinião contrária a respeito de um determinado assunto, me apresentando e falando que torcia para outra equipe de futebol. E colocando inclusive meu endereço - este blog. Não faltaram, no outro dia, manifestações iradas de torcedores num post que nada tinha a ver com a questão.
Se juntaram para vir tacar pedras em mim. Por causa de uma opinião - que, inclusive, não desrespeitava ninguém, nem ao clube de futebol em questão. Logicamente, não permiti a publicação de tais comentários, porque meu blog não é palco de luta. Não mesmo. E nem vai ser. Para os que possam me chamar de censor, eu assumo que sim, estarei censurando quando faltar respeito.
No mais, quando simplesmente diverge, tudo bem. Afinal, cada um nasceu num dia diferente, em um local diferente, numa família diferente, com DNA diferente, com pensamentos e convicções diferentes. E, graças a Deus, é assim. Ainda bem. Eu não conseguiria viver num mundo onde todos fossem iguais a mim, com todos os defeitos e manias que tenho.
Esses dias mesmo, um jornalista postou - em seu próprio blog - sua visão sobre a questão do desarmamento. Era uma opinião a respeito de uma questão que já havia se encerrado. Afinal, o referendo já passou. Mas o que se viu nos comentários foi uma avalanche de agressões gratuítas, o chamando de diversos nomes, por causa de sua opinião - ele era contra o uso de armas de fogo.
Hoje não se pode mais torcer para um time sem se incomodar com o fato do outro trocer para outro. Não se pode mais seguir uma religião, se ela for diferente da sua. Não se pode escolher um candidato na eleição, se ele for diferente do nosso…
Por isso, eu assumo:
Sou católico, sou gremista, sou casado, sou a favor do sexo só depois do casamento, provavelmente vou votar no Lula, votei contra o uso de armas no referendo, acho que o Brasil não vai ganhar essa Copa, meu esporte preferido é o automobilismo, sou músico, mas não suporto pagode e axé, não gosto de ouvir Djavan, Pink Floyd sem Roger Waters pra mim não é Pink Floyd, e o Paul McCartney era o mais genial dos Beatles.
Posso, ou vai querer brigar comigo?
Eric, também já percebi isso…
Parece que a maioria não pode ser contrariada. Não respeitam a divergência de opiniões, mesmo, em alguns casos, não tendo razão no que dizem.
Esse caso que você relatou é um típico exemplo da falta de educação de nosso povo e da omissão dos pais na criação de sua prole.
Hoje em dia um simples desentendimento no trânsito já gera um ato vil de violência…
Tá complicado…
Silvio
02 Jun 2006